ADIDAS
Atletas no lugar mais alto do pódio.
Quebras de recordes. Limites superados. Vitórias e títulos.
Dificilmente em alguma dessas situações esportivas as singelas “três
listras” não estiveram presentes. Nenhuma marca simboliza mais a
eficiência e competitividade alemã nos esportes que a adidas.
A história
As origens da marca datam de 1920
quando Adolph Dassler, filho de um sapateiro, iniciou um pequeno negócio
na cidade alemã de Herzogenaurach, localizada no coração da Francônia,
ao norte de Nuremberg, para produzir calçados esportivos e malas
militares e como forma de sustentar sua família. A velha lavanderia de
sua mãe foi rapidamente convertida em uma modesta oficina de 18 metros
quadrados. Mas o jovem fanático por esportes precisaria ser muito
criativo para trabalhar nos difíceis anos do pós-guerra, sem dispor de
máquinas, eletricidade ou materiais adequados. Inicialmente, o negócio
era parecido com o de qualquer outro sapateiro, mas ele nunca desistiu
de seu sonho e da paixão por desenvolver calçados esportivos duráveis
para proteger os atletas de lesões. Todos os calçados eram de couro e
feitos à mão.
Após um período difícil de inflação e
desemprego, seu irmão, Rudolf, se juntou ao negócio em 1924. Foi então
que os irmãos fundaram no dia 1 de julho a “Gebrüder Dassler Schuhfabrik” (em alemão, Fábrica de Calçados Esportivos dos Irmãos Dassler),
inicialmente empregando apenas 12 trabalhadores. Sendo um vendedor
treinado, Rudolf era responsável principalmente por tarefas
administrativas, enquanto Adolf concentrava-se no desenvolvimento e na
produção. Em pouco tempo, trabalhando dia e noite em sua oficina
ampliada, os irmãos e seus funcionários conseguiam produzir 50 pares de
calçados por dia. Em 1925, Dassler obteve suas primeiras patentes: uma
para um calçado de corridas com cravos forjados a mão, e outra para uma
chuteira de futebol com travas. Tudo motivado pela ideia que o guiou
durante toda sua vida: a de que cada atleta tivesse o calçado adequado
para o esporte que praticava, evitando assim lesões e melhorando o
desempenho. O sucesso dos modelos serviu de incentivo para Adi Dassler,
que logo desenvolveu calçados esportivos específicos para outras
modalidades. Em 1927 os irmãos alugaram suas primeiras instalações e
rapidamente a produção subiu para 100 pares de calçados por dia.
Utilizando sua própria experiência e
a ajuda de atletas e técnicos para desenvolver e projetar seus
calçados, já em 1928 alguns esportistas alemães disputaram os Jogos
Olímpicos de Amsterdã utilizando calçados especiais da oficina dos
irmãos Dassler. No ano seguinte, a empresa produziu suas primeiras
chuteiras de futebol, com solado de couro e travas combinadas com uma
“barra de estabilização”. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932, o
alemão Arthur Jonath tornou-se o primeiro atleta a ganhar uma medalha
usando calçados Dassler, tendo conquistado o bronze nos 100 metros rasos
– o endosso que faltava para os irmãos empreendedores. Nesta década, a
oficina produzia, com a ajuda de 100 funcionários, aproximadamente 30
modelos de calçados para 11 disciplinas esportivas diferentes, incluindo
patins com quatro rodas.
Nas Olimpíadas de 1936, em Berlim,
atletas usando calçados Dassler conquistaram nada menos que 40 medalhas
de ouro, incluindo quatro do lendário atleta americano negro Jesse
Owens, confirmando assim a reputação dos calçados Dassler entre os
esportistas mais famosos do mundo, despertando o interesse de
treinadores de várias equipes nacionais. Mas o ódio de Adolf Hitler foi
tanto que, assim que a Segunda Guerra Mundial começou, mandou confiscar a
fábrica dos irmãos. Com o país em escombros após o conflito, os irmãos
retomaram o controle de seus negócios. Durante este período, eles
encontraram enormes dificuldades para manter o negócio em funcionamento.
A matéria-prima era escassa e eles tiveram que recolher dos escombros
da guerra lona de barracas, couro de luvas de baseball e borracha
utilizadas pelos americanos para poder fabricar seus calçados. Foi neste
momento que os irmãos, devido a divergências, especialmente políticas,
resolveram seguir caminhos distintos. Rudi fundou a Puma. Adi criou a
adidas (escrita com letras minúsculas mesmo) com apenas 47 funcionários.
O nome deriva da combinação de “ADI”, apelido de Adolph, e “DAS”
iniciais de seu sobrenome Dassler. A partir deste momento os irmãos e
as famílias se tornariam, não somente rivais, mas também inimigas.
A busca por uma imagem que chamasse a
atenção, para tornar seus calçados mais reconhecidos à distância,
culminou com o famoso design das três listras, surgindo assim um dos
logotipos mais famosos do mundo. A marca adidas foi registrada somente
em 18 de agosto de 1949. Também neste ano, as três listras são
registradas oficialmente como marca comercial da adidas. Adi então,
concentrou seus esforços na criação de novas chuteiras de futebol. O
resultado: foram fabricadas as primeiras chuteiras de futebol com travas
de borracha moldada e ajustáveis. Nos Jogos Olímpicos de Helsinque em
1952, a adidas foi a marca de calçados esportivos mais utilizada pelos
atletas. Foi neste evento que surgiram os primeiros calçados de corrida
com travas removíveis.
Outro acontecimento marcante para a
adidas que ocorreu nesta olimpíada foi a conquista de três medalhas de
ouro por Emil Zatopek nos 5.000m, 10.000m e maratona, utilizando
calçados da marca. A conquista do Campeonato Mundial de Futebol pela
Alemanha em 1954 selou definitivamente o sucesso da marca adidas: na
legendária partida final contra a Hungria, conhecida como “a batalha de
Berna”, os jogadores da seleção alemã calçavam leves chuteiras de cano
baixo com travas de náilon parafusáveis especialmente desenvolvidas por
Adi Dassler. Nesta época a empresa já produzia mais de 450.00 pares de
calçados todos os anos. Foi nos Jogos Olímpicos de Melbourne em 1956 que
Horst, filho de Adi, deu início ao marketing esportivo moderno. No
evento, 75% dos atletas que conquistaram medalhas utilizavam calçados da
marca adidas.
No final desta década, em 1959, o
estabelecimento e a construção de uma fábrica na França foi a primeira
tarefa atribuída a Horst, filho de Adi. Nos Jogos Olímpicos de Roma em
1960, a americana Wilma Rudolph, apelidada de “Gazela Negra”, ganhou
três medalhas de ouro no atletismo utilizando calçados com travas para
curta distância. Nesta década, o sortimento de produtos se diversificou e
cresceu, incluindo a fabricação de bolas a partir de 1963 e de
confecções esportivas desde 1967. Adi Dassler nunca se cansou, até
morrer em 1978, de buscar o modelo perfeito da chuteira, do tênis e das
bolas, o que se traduz em mais de 700 patentes e modelos registrados em
todo o mundo.
No início dos anos 90, a marca
resolveu investir na junção do esporte com o mundo da moda, lançando
produtos antigos e clássicos com uma nova interpretação. Fundindo-se com
o grupo francês Salomon, especializado em equipamentos para a prática
de esqui na neve, em 1997, após uma fase de fracassos financeiros, a
então ADIDAS-SALOMON passou a congregar a maior variedade do mundo em
artigos esportivos, que eram vendidos sob diferentes marcas, em um total
de 600 modelos de calçados e 1.500 peças de confecção. A adidas também
comprou as empresas Taylor Made Golf e Maxfli, permitindo assim a
concorrência com a Nike Golf. Em 2005, ano em que vendeu a marca
Salomon, a empresa deu um grande passo para tentar recuperar o mercado
mundial de equipamentos esportivos ao comprar a tradicional inglesa
Reebok por US$ 3.5 bilhões.
No ano seguinte executou outra
manobra ousada ao pagar cerca de US$ 400 milhões para ser patrocinadora
oficial da liga profissional de basquete americana (NBA). Em 2008, a
empresa inaugurou uma gigantesca loja com 3.170 m² distribuídos por
quatro andares, a maior da marca alemã, na cidade chinesa de Pequim, que
servirá de modelo para futuras lojas nas principais capitais
cosmopolitas do mundo. Em 2011, a marca inaugurou sua primeira Core
Store em São Paulo, no shopping Pátio Higienópolis. O conceito pretende
atingir tanto os consumidores de produtos esportivos, quanto os clientes
comuns, que buscam apenas as coleções da marca. Com essa loja, a adidas
passou a contar com 11 lojas em São Paulo, seis a mais que Nova Iorque e
sete a mais que Londres.
A linha do tempo
1931
● Introdução dos primeiros calçados para a prática do tênis.
1950
● Introdução de uma chuteira versátil batizada de SAMBA. Esta chuteira foi criada para melhor tração no gelo, na neve e em terreno congelado.
1952
● Introdução das primeiras malas esportivas.
1957
● Introdução da primeira chuteira em couro de canguru e solas com ar.
● Desenvolvimento da primeira meia-sola de poliamida para calçados de corrida.
1960
● Em comemoração aos Jogos Olímpicos de Roma, a adidas lança o tênis de treinamento ITALIA, que se tornaria um dos maiores símbolos da marca, sendo produzido até os dias de hoje em quantidades muito limitadas.
1963
● Início da produção das bolas de futebol.
1964
● Introdução do TOKIO 64, tênis de atletismo mais leve da época, pesando apenas 135 gramas cada.
1967
● Introdução da primeira linha de roupas esportivas com as tradicionais três listras.
1968
● Lançamento do adidas GAZELLE, um tênis de treinamento que se tornou um dos maiores sucessos e ícone da marca alemã. Atualmente é um símbolo de status.
● Lançamento do ACHILLE, primeiro calçado desenvolvido para a prática do jogging.
● Primeira empresa do mundo a fabricar solas de poliuretano injetadas com várias travas.
1972
● O tradicional chinelo ADILETTE foi lançado no mercado, tornando-se um dos maiores clássicos da marca alemã.
●
Desenvolvimento de calçados para corrida com meia-sola que possuía uma
combinação de pele de tubarão e poliamida para proporcionar maior
tração.
1974
● Lançamento das primeiras raquetes de tênis.
1976
● Lançamento de um calçado para atletismo com “sistema Vario”, uma combinação de plástico e metal intercambiáveis.
1982
● Lançamento da COPA MUNDIAL,
que se tornou a chuteira mais vendida de todos os tempos. Extremamente
leve (pesa apenas 270g), com travas e solado de poliuretano, o modelo
faz sucesso até os dias.
1984
● Lançamento do MARATHON TRAINING, um revolucionário tênis de corrida com um pequeno computador acoplado.
1988
● Introdução do revolucionário sistema TORSION,
utilizado até hoje na produção de muitos de seus modelos de calçados. O
sistema proporciona estabilidade e controle dos movimentos da parte da
frente do pé e do calcanhar.
1991
● Lançamento da adidas EQUIPAMENT,
uma linha de produtos esportivos profissionais de alto desempenho
contendo calçados e roupas. Esta linha foi renomeada em 2002 para adidas
SPORT STYLE.
1994
● Lançamento da adidas PREDATOR,
uma revolucionária chuteira que logo se tornou um grande sucesso no
meio futebolístico e um dos produtos de maior sucesso da poderosa marca
alemã.
1996
● Lançamento das chuteiras com tecnologia TRAXION nas solas, representando um novo marco de desenvolvimento no segmento.
2001
● Lançamento da adidas ORIGINALS,
uma linha composta por jaquetas, tênis, agasalhos e bolsas, produzida
entre as décadas de 20 e 80, e relançada com novos desenhos e
interpretações, que se tornou carro-chefe da onda retro, e também uma
verdadeira mina de ouro para a marca, respondendo por cerca de 15% das
receitas globais da empresa. São peças decoradas com as indefectíveis
três listras e o logotipo em forma de trevo.
● Inauguração das duas primeira unidades da adidas ORIGINALS STORE
nas cidades de Berlim em setembro e Tóquio em dezembro, para vender os
produtos “fashion” da marca alemã. A loja se tornou um sucesso em
cidades que possuem estreita relação com a moda, como Barcelona, Milão,
Nova Iorque, Amsterdã, Londres, São Paulo, Miami, Seul e Hong Kong.
Atualmente existem mais de 160 unidades ao redor do mundo.
● Lançamento do projeto “Experiência em Personalização”,
que proporcionava aos consumidores a oportunidade de criar seu próprio
calçado exclusivo segundo suas especificações pessoais exatas em termos
de função, ajuste e aparência.
2002
● Lançamento da Y-3,
uma linha fashion assinada pelo designer japonês Yohji Yamamoto,
composta por produtos com estilo minimalista e um toque futurista. O “Y”
vem de Yohji Yamamoto e o “3” representa a famosa assinatura de três
listras e o hífen ‘ significa a ligação entre os dois.
2003
● Lançamento do adidas JetConcept,
um revolucionário tecido empregado em trajes aquáticos para nadadores
profissionais que diminuía a resistência da água em relação ao corpo. O
produto ganharia enorme visibilidade com o nadador Ian Thorpe que
utilizou a vestimenta no campeonato mundial realizado em Barcelona onde
conquistou três medalhas de ouro, uma de prata e outra de bronze.
● Inauguração de sua nova loja de fábrica, localizada em sua sede, com 3.500 metros quadrados.
2004
●
Criação da linha de roupas feminina no estilo esporte/fashion assinada
pela badalada estilista Stella McCartney. A linha, batizada de adidas by Stella McCartney, foi bastante aclamada pela crítica.
2005
● Lançamento do adidas a1,
primeiro tênis inteligente do mundo. Possuía na sola um
microprocessador capaz de fazer 5 milhões de cálculos por segundo. O
tênis sabia onde pisava: um sensor instalado na parte inferior do
calcanhar verificava a inclinação do solo, o tipo de superfície
(cimento, madeira, terra ou areia) e enviava esses dados ao chip, que,
então, ajustava o amortecimento do tênis de acordo com o impacto. O
tênis foi considerado a grande invenção de artigos esportivos da última
década, e mesmo com seu sistema computadorizado pesava apenas 425
gramas. Mas o preço não era nada leve. Aqui no Brasil, chegou á custar
R$ 1.000. Por isso mesmo, a adidas restringiu a produção a 10.000
unidades.
● Lançamento do PROJECT FUSION, primeiro projeto de treinamento integrado do mundo.
● Lançamento do adidas_1 BASKETBALL, primeiro tênis inteligente de basquete do mundo.
2006
● Lançamento da adidas +F50 TUNIT,
chuteira que tinha três opções de cravos, duas de palmilhas e três de
carcaças. Essa nova tecnologia revolucionária permitia que o jogador
modificasse a qualquer momento o calçado, adaptando-o para qualquer tipo
de campo, condição climática e estilo pessoal.
● Lançamento da inovadora coleção masculina PORSCHE DESIGN, composta por peças para desempenho de alta tecnologia para o esporte e o design.
● Inauguração da Mi Adidas Innovation Center,
uma espécie de centro tecnológico, localizada na badalada Avenida
Champs-Élysées em Paris, onde o consumidor pode fazer o seu próprio
tênis, customizado inclusive os pontos principais que tocam o chão de
forma específica para cada pé. No centro da loja existe uma passarela
que capta o movimento dos pés e informa ao computador central qual o
maior ponto de impacto para um caso específico. A partir daí o
consumidor poderá escolher toda a estrutura externa do tênis e depois de
3 a 4 semanas o tênis é entregue em sua residência.
2010
● Lançamento da linha adidas NEO,
que traz uma variada gama de produtos que misturam as características
dos materiais esportivos com a casualidade do dia a dia, tendo como
principal objetivo criar artigos para todo tipo de ocasião com preços
mais acessíveis.
2012
● Lançamento do tênis Adidas adiZero F50 Runner 2,
confeccionado em material sintético, leve e resistente, com cabedal
respirável, ideal para acompanhar os treinos mais intensos. Possui uma
estrutura sem costuras, tornando mais fáceis e ágeis os movimentos
durante a corrida. Indicado para corredores com menos de 80 kg, tem um
solado que proporciona um impacto muito mais suave, equilibrado e
natural, além oferecer uma maior resposta e propulsão em cada pisada.
Inovação Made in Germany
A marca alemã sempre primou pela
busca da excelência em seus produtos, não medindo esforços e
investimentos em pesquisas e estudos que resultassem em tecnologias
inovadoras capaz de auxiliar o atleta, da melhor forma possível, durante
a prática esportiva. A marca alemã inovou ao longo da história
introduzindo tecnologias como: a³ (introduzida em 2002)
um sistema, com elementos moldados independentemente, projetados para
amortecer, direcionar e impulsionar os pés a cada passo; ClimaCool (introduzida em 2002) que consistia em produtos com ventilação de 360º; e a a², um sistema de gerenciamento de energia, que amortece, orienta e impulsiona o pé proporcionando a passada perfeita.
Um ícone de travas
O futebol foi o esporte que
impulsionou a ADIDAS rumo ao sucesso e reconhecimento mundial. Tudo
começou na década de 1920 quando as pesadas bolas e chuteiras (de quase 1
kg) faziam com que os jogadores sentissem enorme dificuldade em
arrematar com qualidade. Para melhorar esse quesito os irmãos Dassler
realizaram modificações no calçado. Era o início de uma revolução no
futebol. As inovações mais marcantes começaram na década de 1950: os
canos baixaram, as travas podiam ser trocadas de acordo com o terreno e o
peso foi reduzido para 500g. A partir de então, ao longo das décadas, a
marca alemã vem continuamente criando inovações (como por exemplo, a
utilização do tecido de couro de canguru) e utilizando o que há de mais
moderno em tecnologia para lançar modelos de chuteiras que facilmente
caem no gosto de grandes jogadores de futebol, já tendo calçado os pés
de lendas, como por exemplo, Zinedine Zidane, Zico, David Beckham, Raúl
Gonzales, Kaká, Lotthar Mathaus, Lionel Messi, entre outros craques.
O maior ícone da ADIDAS neste segmento apareceria em 1994: ADIDAS PREDATOR,
que tinha como principal atrativo linhas de borracha acopladas à parte
superior do cabedal, mais precisamente no “peito do pé”, que prometiam
mais potência ao chute. Em 1995, o modelo seguinte a ser lançado seria o
RAPIER (primeira chuteira da marca que trazia cores diferentes, até então a ADIDAS só fabricava modelos em preto e branco). A PREDATOR TOUCH,
lançada em 1996, foi inovadora pelo fato de ter sido a primeira a
utilizar solado com as travas do tipo “Traxion” e possuir uma língua que
cobria toda a área dos cadarços, o que proporcionava uma maior área de
chute. Lançada pouco antes do mundial da França, em 1998, a PREDATOR ACCELERATOR,
trazia uma reestilização do solado Traxion e a inovação dos laços
assimétricos, além de oferecer quatro diferentes combinações de cores
(preto e branco; preto, vermelho e branco; vermelho e preto; e branco e
amarelo). Já a PREDATOR PRECISION trouxe em 2000 as
travas Traxion que eram intercambiáveis (fabricadas em diversas alturas,
permitia serem trocadas de acordo com a condição do gramado). O modelo PREDATOR MANIA,
lançado em 2002 e difundido na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do
Sul, trouxe inovações e novas cores (como por exemplo, champanhe e
dourado). Já a PREDATOR PULSE, lançada para Eurocopa de 2004, com as tradicionais cores preta e vermelha, trouxe consigo o PowerPulse,
um sistema de deslocamento de 40 gramas de peso para a ponta da
chuteira que prometia otimizar o centro de gravidade do usuário em
relação ao ponto de impacto do chute. Em 2008 foi a vez do modelo PREDATOR PowerSwerve, cuja novidade era um material chamado “Smartfoam”,
que segundo a marca prometia um aumento do controle, efeito e força aos
diversos movimentos do toque de bola. O penúltimo modelo dessa linha,
lançado em 2010 e batizado de PREDATOR X, utilizava tecnologia “PowerSpine”, que prometia aumento no efeito posto na bola a cada chute.
Em 2012 a empresa lançou a última geração das chuteiras PREDATOR, batizada de LETHAL ZONES,
isto porque possui cinco “zonas letais” que prometem um arsenal de
possibilidades pra quem souber usá-las: uma zona de alta velocidade e
dribles; outra para o domínio perfeito; uma para impor velocidade na
finalização do chute a gol; uma para maior controle de bola e passes de
longa distância e, ainda, um ponto ideal para passes de precisão. A nova
chuteira é o primeiro modelo desta linha equipada com a tecnologia
miCoach, o que significa que os jogadores podem acompanhar seu
desempenho compilando dados como distância, número de arrancadas e
velocidade máxima, e transferi-los para o celular ou computador. A
chuteira também possui a revolucionária estrutura da sola Sprint Frame,
que oferece um equilíbrio perfeito entre leveza (225g) e estabilidade,
bem como a configuração das travas Traxion 2.0, que garantem máxima
aderência e aceleração. Como estratégia de marketing, a marca lança um
novo modelo da linha PREDATOR a cada dois anos, coincidindo com a
Eurocopa e a Copa do Mundo.
As bolas
A marca alemã vem desenvolvendo
bolas de futebol profissional desde 1963, quando a maioria delas era
marrom, pesada e dura ao chutar. A primeira bola produzida chamava-se SANTIAGO.
Desde então, a marca tem se dedicado a impulsionar a tecnologia do
futebol para o futuro, sempre inovando e nunca se contentando com o
básico. As bolas adidas se tornaram tão famosas quanto à própria marca
graças a Copa do Mundo. Em 1966, a empresa alemã já estava em posição de
apresentar uma nova bola com 32 gomos à FIFA na disputa para fornecer a
bola oficial da Copa do Mundo na Inglaterra. Infelizmente para a
empresa, o modelo inglês acabou sendo escolhido para o torneio realizado
na terra natal do futebol. Quatro anos mais tarde, em 1970, o sonho foi
realizado, quando a empresa forneceu a TELSTAR (feita
totalmente em couro e 32 gomos costurados à mão) como sua primeira bola
oficial de jogo em uma Copa do Mundo da FIFA. Essa bola, cujo nome
origina-se de “Estrela da Televisão”, foi a primeira na cor branca com
pentágonos pretos, o que era particularmente útil, já que a Copa do
Mundo foi a primeira a ser transmitida ao vivo pela televisão. A TANGO,
produzida para a Copa do Mundo da FIFA 1978, se tornaria um ícone do
design futebolístico. Todas as bolas das cinco Copas do Mundo da FIFA
seguintes, na Espanha (também chamada TANGO), México (chamada AZTECA), Itália (batizada de ETRUSCO), Estados Unidos (chamada QUESTRA) e França (batizada de TRICOLORE e primeira bola de futebol multicolorida) basearam-se no design da lendária TANGO, até que a FEVERNOVA mudou totalmente o estilo, para a Copa do Mundo realizada na Coréia/Japão em 2002.
Para a Copa do Mundo da FIFA de 2006, a marca alemã desenvolveu a melhor bola de futebol de todos os tempos, a +Teamgeist.
Seu conceito completamente novo ficava à altura das exigências cada vez
maiores dos grandes astros do futebol. A +Teamgeist foi a primeira bola
totalmente sintética e com apenas 14 gomos. Para a Copa do Mundo de
2010, na África do Sul, a marca alemã criou a bola JABULANI,
que significa “comemorar” no idioma zulu. A bola oficial da Copa do
Mundo representava a variedade cultural da África do Sul e o colorido do
continente africano. Eram 11 cores distintas, cada uma para uma das
províncias do país sede do torneio. A nova bola introduziu importantes
avanços em termos de tecnologia. Ao passar as mãos pela bola, a primeira
coisa que chamava a atenção era a textura com ranhuras de aderência que
asseguravam um domínio completo, uma trajetória estável no ar e uma
aderência perfeita em qualquer condição. Além disso, ao contrário dos
moldes anteriores das bolas de futebol da marca alemã, constituídas por
gomos planos, a Jabulani era formada por oito gomos em 3D unidos
termicamente e, pela primeira vez na história, moldados esfericamente
para dar à bola um formato perfeitamente cilíndrico, o que garantia uma
precisão nunca antes alcançada.
Recentemente o Comitê Organizador
Local e a adidas revelaram o nome da bola Oficial da Copa do Mundo da
FIFA 2014™. A bola se chamará adidas BRAZUCA, nome escolhido após uma votação pela Internet que contou com a participação de mais de um milhão de torcedores brasileiros.
O escândalo
A história da empresa apresentada em
sua página oficial na Internet está incompleta. Talvez por que esteja
indiretamente ligada a escândalos financeiros. Tudo começou após um
período de sérios problemas depois da morte repentina e precoce do filho
de Adolf Dassler, Horst, em 1987 aos 51 anos, quando a empresa foi
comprada em 1989 por Bernard Tapie, um famoso empresário que fez fortuna
resgatando empresas quase falidas, desmantelando-as e vendendo-as parte
por parte, por 1.6 bilhões de francos franceses (US$ 320 milhões),
dinheiro este originário de empréstimos. Ao assumir o comando da empresa
ele decidiu mudar a produção para o continente asiático, onde a mão de
obra era abundante e barata. Também contratou a cantora Madonna para
divulgar a marca no mundo. Porém, em 1992, não conseguiu pagar os juros
de seu empréstimo. Então, pediu ao banco Crédit Lyonnais para vender a
empresa. Ao invés disso, o banco acabou comprando a ADIDAS, o que é
normalmente proibido pelas leis francesas. Aparentemente, o banco
estatal tentou fazer um favor ao polêmico empresário, tentando livrá-lo
dos problemas, já que ele era ministro de Assuntos Urbanos no governo
francês da época. Esquecendo por que o banco realmente comprou a adidas,
ele mais tarde processou-o, porque se sentiu lesado pela venda. Em
fevereiro de 1993, o banco vendeu a empresa alemã para Robert
Louis-Dreyfus, um amigo do próprio Bernard Tapie (e primo de Julia
Louis-Dreyfus do famoso seriado de TV Seinfeld). Robert se tornou o novo
presidente da empresa. Ele também era presidente do time de futebol
Olympique de Marseille, ao qual Tapie era intimamente ligado. O próprio
Tapie foi à falência em 1994, sendo alvo de diversos processos,
principalmente relacionado à manipulação de resultados no futebol.
Condenado, passou seis meses na prisão La Santé em Paris em 1997 depois
de ter sido sentenciado à 18 anos de reclusão. Robert Louis-Dreyfus foi
muito bem sucedido administrando a adidas até 2001. Admitidamente, seu
grande segredo foi simplesmente copiar com eficiência o que a Nike e a
Reebok faziam no mundo.
O marketing
A estratégia de marketing da marca
adidas é muito dependente do patrocínio de grandes eventos esportivos
como as Olimpíadas, Copa do Mundo de Futebol (onde a empresa pagou cerca
de US$ 50 milhões para ser patrocinadora oficial), federações
esportivas e atletas individuais. A empresa alemã gasta anualmente em
média mais de US$ 900 milhões em marketing, a maior parte disso em
patrocínio, mas também em publicidade e outros tipos de comunicação.
Nomes como Muhammad Ali, Franz Beckenbauer e Zinedine Zidane tornaram-se
lendas das três listras, contribuindo para que a marca se tornasse o
que é hoje.
Porém um episódio marcou
definitivamente a história do marketing da adidas. Nas Olimpíadas de
1972, o nadador Mark Spitz estava a caminho de ganhar sete medalhas de
ouro quando recebeu a visita de Horst Dassler, filho do fundador da
empresa, na Vila Olímpica de Munique. Ele pediu para o norte-americano
usar a marca nas cerimônias de entrega de medalhas. O problema é que
provavelmente os calçados ficariam cobertos pelas calças que os
nadadores usavam. Dassler então sugeriu para Spitz carregar os sapatos
na mão. O atleta ficou contagiado pelo entusiasmo de Dassler e segurou
um par de adidas Gazelle, quando acenou para a multidão. Spitz teve que
se explicar depois ao Comitê Olímpico Internacional (COI), mas a marca
ganhou enorme visibilidade mundial com esse episódio. A partir deste
momento o mundo sabia quem era a marca adidas. Em 1998, a adidas se
tornou a primeira marca de material esportivo a ser nomeada pela FIFA
patrocinadora oficial do evento.
Talvez a maior campanha publicitária da marca alemã foi lançada globalmente em 2003 com o slogan “Impossible is Nothing”, que ressaltava a essência que a adidas tem em comum com os atletas ao redor do mundo: o desejo de superar seus limites e superar o impossível.
A campanha integrada mostrava grandes atletas tanto do passado como do
presente, unindo a lenda do Boxe Muhammad Ali, o corredor de longa
distância Haile Gebrselassie, o ícone do futebol David Beckham, o
jogador francês Zinedine Zidane, o nadador Ian Thorpe, o campeão dos 100
metros Maurice Greene e a estrela da NBA Tracy MacGrady. A mensagem da
campanha se baseia na história real destes atletas, que de fato
desafiaram o impossível, foram atrás de seus sonhos e conseguiram
quebrar recordes e mudar conceitos.
Atualmente a empresa fornece os
uniformes das principais seleções do mundo, como Alemanha (US$ 298
milhões/10 anos), Argentina (€6 milhões/ano), China, México, Grécia,
Japão, Paraguai, Colômbia, Nigéria, Dinamarca, África do Sul, Escócia e
Espanha, além de distribuir boa parte dos vestuários dos árbitros,
chuteiras e bolas. Na Copa do Mundo de Futebol em 2010, a adidas vestiu
12 das 32 seleções que participaram do torneio. Ainda no futebol, a
empresa patrocina a FIFA e fornece material para grandes clubes do
futebol mundial como Lyon, Milan, Real Madrid (US$ 29.6 milhões/ano),
Bayern de Munique, Chelsea (US$ 21 milhões/ano), Liverpool, Bayer
Leverkusen, Schalke 04, Benfica, Ajax, Anderlecht, Olympique Marseille,
Fluminense, Palmeiras, River Plate, Fenerbahçe, Besiktas, Galatasaray,
Panathinaikos e Dínamo Kiev. Também possui uma constelação de craques
patrocinados como os ingleses David Beckham, Frank Lampard e Steven
Gerrard; os alemães Bastian Schweinsteiger, Lukas Podolski e Mats
Hummels; os espanhóis David Villa, Xavi, Iker Casillas e Xabi Alonso; o
português Nani; o italiano Alessandro Del Piero; os brasileiros Kaká,
Luis Fabiano, Fred, Nilmar, Thiago Neves e Lúcio; os uruguaios Diego
Lugano e Diego Forlán; o goleiro Petr Čech; os argentinos Lionel Messi e
Juan Román Riquelme; os holandeses Robin Van Persie e Arjen Robben; os
franceses Djibril Cissé, Karim Benzema e Zindedine Zidane (mesmo
aposentado), entre outros.
No tênis a marca alemã tinha como
seu principal atleta Ivan Lendl, que surgiu com uma grande promessa e
alcançou o topo do ranking em 1985. Outra sensação da época patrocinada
pela marca foi a tenista alemã Steffi Graf. Atualmente a marca patrocina
os tenistas Andy Murray, Jo-Wilfried Tsonga, Fernando González,
Caroline Wozniacki e Justine Henin. Além disso, patrocina a lendária
equipe de rúgbi da Nova Zelândia, conhecida como All Blacks.
A evolução visual
Todo mundo conhece os dois logotipos
da marca adidas, mas poucos sabem o que representam e porque ambos
continuam sendo usados. O logotipo com as 3 listras, por incrível que
pareça, é o mais antigo. Foi usado pela primeira vez em 1949. Adi
Dassler criou esse símbolo para aplicar nos calçados e causar imediato
reconhecimento perante os consumidores. As 3 listras representam uma
montanha. Apontando para cima, representam também o desafios e os
objetivos à serem alcançados. Já o popular logotipo com as três folhas,
batizado oficialmente de TREFOIL (três folhas
em francês), nasceu em 1971 e foi adotado como logotipo corporativo em
1972, sendo o único a ser utilizado por um grande período de tempo. Ele é
simétrico, e continuam representadas as 3 listras. Em 1997, a adidas
decidiu voltar com o logotipo inicial das 3 listras, redesenhado por
Peter Moore. Ficou então com os dois logotipos sendo usados de maneira
integrada. O Trefoil é usado em produtos da Sport Originals Division,
que contém os tênis mais clássicos, com as 3 listras ocupando as duas
laterais inteiras. Enquanto o logotipo das 3 listras (recriado em forma
de barras nos anos 90) é utilizado em produtos da divisão esportiva (adidas Performance), materiais promocionais e materiais corporativos. Um terceiro logotipo é utilizado para os produtos da divisão fashion (adidas style),
que engloba as linhas Y-3, Porsche Design Sport, adidas SLVR e adidas
NEO. A empresa ainda utiliza um logotipo corporativo formado pelo nome
adidas e as três listras na horizontal.
Os slogans
adidas is all In. (2011)
Impossible is Nothing. (2003)
I kiss football. (2001)
Want to play? (2000)
Feet you wear. (1998)
Performance shoes for runners. (1997)
Forever Sport. (década 90)
We’re running serious. (1985)
Spirit of the games. (1984)
Dados corporativos
● Origem: Alemanha
● Fundação: 18 de agosto de 1949
● Fundador: Adolph Dassler
● Sede mundial: Herzogenaurach, Alemanha
● Proprietário da marca: Adidas AG
● Capital aberto: Sim (1995)
● Chairman & CEO: Herbert Hainer
● Presidente: Erich Stamminger
● Faturamento: €13.3 bilhões (2011)
● Lucro: €671 milhões (2011)
● Valor de mercado: €13.8 bilhões (outubro/2012)
● Valor da marca: US$ 6.699 bilhões (2012)
● Lojas: 1.804
● Presença global: + 160 países
● Presença no Brasil: Sim (37 lojas)
● Funcionários: 46.800
● Segmento: Marcas esportivas
● Principais produtos: Calçados, roupas, acessórios e equipamentos esportivos
● Concorrentes diretos: Nike, Puma, Mizuno, Umbro, Lotto e New Balance
● Outros negócios: Reebok, TaylorMade e Rockport
● Ícones: O logotipo Trefoil e as três listras
● Slogan: adidas is all In.
O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca adidas está avaliada em US$ 6.699 bilhões, ocupando a posição de número 60 no ranking das marcas mais valiosas do mundo.
A marca no mundo
Seus produtos são vendidos em mais
de 160 países através de mais de 80 subsidiárias e mais de 1.800 lojas
próprias. Além da sede mundial, localizada em Herzogenaurach na
Alemanha, onde trabalham aproximadamente 2 mil pessoas, seus dois
principais centros de desenvolvimento, localizados em Scheinfeld (perto
de Nuremberg, também na Alemanha) e Portland (chamado de adidas VILLAGE)
nos Estados Unidos, empregam mais de 3 mil pessoas entre designers,
engenheiros mecânicos e físicos. No mundo inteiro, a empresa tem mais de
46 mil funcionários e fatura anualmente mais de €13 bilhões.
Aproximadamente 67% de seus produtos são produzidos na Ásia (onde
concentra 22% da produção na China), 19% na América e 14% na Europa e na
África.
Você sabia?
●
Atualmente, a adidas é a segunda maior empresa de equipamentos
esportivos do mundo, atrás da maior rival a Nike, e líder na Europa onde
a marca americana é a segunda. No entanto, é a maior distribuidora de
equipamentos esportivos para futebol com 40% do mercado mundial.
● Calçados feitos à mão para alguns nomes importantes, como David Beckham, ainda são produzidos na Alemanha.
● Alguns fãs da marca dizem que adidas são as iniciais para All Day I Dream About Sports (Todos os dias eu sonho com esportes), o que não é verdade.
*Este artigo foi publicado originalmente no blog Mundo das marcas


























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